Português: 10/10/26

sábado, 10 de outubro de 2026

Resumo da cena IV da 1.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros

Desejo sob os Ulmeiros

    A quarta cena abre no alvorecer, na cozinha da casa de lavoura dos Cabot, onde impera um ambiente de tensão e cansaço acumulado. Os irmãos mais velhos, Simeon e Peter, esgotados por trinta anos de trabalho escravo e aridez agrícola, preparam-se para romper com a sujeição ao patriarca Ephraim Cabot. Eben junta-se a eles e concretiza o plano de alforria: resgata o dinheiro em ouro que o pai mantinha escondido sob o soalho da cozinha — valor que o caçula considera legitimamente pertencente à sua falecida mãe — e entrega seiscentos dólares aos dois irmãos mais velhos em troca da assinatura do documento em que estes abdicam de todos os direitos sobre a propriedade.
    Determinados a procurar riqueza e liberdade na corrida ao ouro na Califórnia, Simeon e Peter entregam-se a uma celebração eufórica e provocatória. Quando o patriarca regressa à herdade trazendo consigo a sua nova e jovem esposa, Abbie Putnam, os dois irmãos mais velhos desencadeiam um ato aberto de insubmissão. Zombam do velho patriarca com uma dança ritualística de escárnio, arrancam a cancela dos gonzos, partem os vidros das janelas da casa com pedradas e afastam-se pela estrada a cantar festivamente, deixando Cabot consumido pela fúria, rogando pragas e incapaz de os travar.
    Com a partida dos irmãos, a dinâmica de poder na casa altera-se profundamente. Abbie instala-se na habitação com uma atitude firme de conquista, reivindicando a soberania sobre a cozinha e os aposentos, e afirmando a necessidade vital de ter um lar próprio após um passado de miséria e servidão. O primeiro confronto a sós entre madrasta e enteado é marcado por uma intensa rivalidade patrimonial e uma carga agressiva de insultos, mas deixa transparecer também uma incontornável atração física e um reconhecimento mútuo de solidão. A cena encerra com a exacerbação do conflito entre Eben e o pai, que desqualifica a virilidade do filho mais novo, enquanto Abbie se apodera definitivamente do espaço doméstico, consolidando a matriz da tragédia que se avizinha.

Resumo da cena I da 2.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros

Desejo sob os ulmeiros
    A cena abre numa abafada e sufocante tarde de Verão, no espaço exterior da herdade familiar dos Cabot, onde a atmosfera estival intensifica o conflito psicológico e a atração reprimida entre as personagens. Abbie encontra-se no pórtico, balançando-se na cadeira com um misto de tédio e expetativa provocadora, enquanto Eben a observa clandestinamente a partir da janela do seu quarto. Quando ele desce à varanda, vestido com o seu fato dominical e empenhado em ignorar a presença da madrasta a caminho da aldeia, instala-se entre ambos um duelo verbal carregado de atração e ressentimento. A mulher ridiculariza a compostura do enteado, avisando-o de que a sua resistência ao desejo é um combate inútil contra as forças da própria natureza. O rapaz reage com desprezo, reafirmando a sua fidelidade à memória da falecida mãe e acusando a madrasta de se ter vendido como uma prostituta para se apoderar da terra. A provocação atinge o auge com a troca de insultos e maldições: ela nega-lhe veementemente qualquer direito sobre a propriedade e condena com ciúme a sua ida ao encontro de Minnie na aldeia, enquanto o enteado se afasta devolvendo-lhe o mesmo olhar de rejeição e desafio.
    Com a partida de Eben, surge em cena o velho Ephraim Cabot, cujo rosto habitualmente duro e austero transparece uma invulgar modulação de devaneio e vulnerabilidade ao regressar do estábulo. Abbie acolhe o marido com sarcasmo e agressividade verbal, fustigando o seu envelhecimento e comparando-o a água suja. Alheio ao cinismo da jovem esposa, Cabot mergulha num discurso contemplativo e poetizante, projetando no firmamento a sua obsessão pela terra ao descrever o céu como um campo fértil. O patriarca confessa a profunda e fria solidão que habita a casa, revelando que só entre os animais encontra algum calor e paz. Numa oscilação dolorosa entre a exaltação da sua força física, que compara à dureza de uma nogueira, e a dolorosa perceção da velhice que lhe vai roendo os ossos, Cabot procura reassegurar o seu domínio afetivo sobre a recente esposa. Apelando à linguagem poética do Cântico dos Cânticos, o velho trata-a por Rosa de Sião e desfia comparações sensoriais sobre a sua beleza e fertilidade, embora confirme com obsessão fanática que preferia incendiar a herdade e reduzi-la a cinzas a permitir que ela passasse para as mãos de terceiros.
Percebendo a brecha de fragilidade do marido, Abbie passa à ação e desencadeia a fase decisiva da sua estratégia manipuladora. A jovem esposa insinua que Eben tentou assediá-la e revela a sua saída para a aldeia, acendendo de imediato o fervor e a fúria puritana de Cabot, que ameaça matar o próprio filho a tiro. Assustada com a violência da reação, desescala a situação e persuade o velho a optar pela expulsão de Eben da propriedade. Quando o patriarca lamenta a ausência de um herdeiro legítimo do seu sangue para dar continuidade ao seu legado, a esposa aproveita o momento para revelar que tem rezado fervorosamente por um filho de ambos. A falsa confissão atinge Ephraim com o impacto de uma revelação divina, inflamando a sua vaidade e o seu orgulho viril. Acreditando estar perante um milagre concedido pela providência, Cabot cai de joelhos na terra em transe de gratidão religiosa, invocando a bênção de Raquel e prometendo ceder-lhe a herdade inteira. A cena encerra com a imagem do velho a rezar devotamente de cabeça curva, enquanto Abbie simula a oração ao seu lado, fitando-o com um olhar de absoluto triunfo psicológico e frio desprezo.
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