Português: 13/10/26

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Resumo da cena II da 2.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros


    A ação desta cena desenrola-se no andar superior da casa, durante uma noite abafada de Verão, onde o interior de dois quartos iluminados por velas frouxas expõe uma intensa divisão psicológica. Num dos quartos, Cabot e Abbie encontram-se sentados na cama de casal, tomados pela ideia fixa da necessidade de gerar um herdeiro para a herdade. O marido expressa uma fusão obsessiva entre a esposa e a terra, declarando que ambos têm de produzir um filho, ao passo que ela acolhe as suas afirmações com frieza e enfado. No quarto contíguo, Eben levanta-se e passeia desvairadamente, descalço e em roupa interior, consumido pela perturbação e pelo calor. Através da parede divisória, estabelece-se uma ligação invisível entre ele e a madastra, cujos olhares e gestos se procuram num desejo sufocado, até que o jovem se atira para a cama num gesto de desespero e praga contra si próprio.

    Incapaz de obter uma verdadeira resposta afetiva da esposa, Cabot inicia um longo e amargo monólogo sobre a sua trajetória de vida e o seu isolamento. Recorda ter chegado àquela terra há cinquenta anos, confrontando um solo árido coberto de pedras que levou outros à fuga ou à morte. O velho patriarca relata como se endureceu à imagem de um Deus rigoroso que habita nas pedras, recusando a vida fácil nas planícies do Oeste, porque uma voz interior o mandou regressar para erguer muros com o próprio suor. Evoca com amargura os seus casamentos anteriores: a primeira esposa, com quem viveu duas décadas sem que ela o compreendesse, e a mãe de Eben, cuja fraqueza e disputa familiar sobre os direitos da herdade apenas aprofundaram a sua solidão. Cabot confessa que, após anos de ressentimento mútuo com os filhos, interpretou o chamamento divino como uma ordem para procurar Abbie, a sua «Rosa de Sião», na esperança de encontrar alívio para a sua eterna solidez e isolamento.

    Perante o olhar frio da mulher, que promete de forma enigmática vir a ter um filho dele, o patriarca é subitamente acometido por um calafrio e por uma sensação desagradável de frio e sombras que remexem nos cantos escuros da casa. Procurando o sossego e o calor que não encontra no lar, o velho veste-se e decide ir dormir para o estábulo junto das vacas. Após clamar a Deus sob o céu noturno, afasta-se. Ficando sozinhos no andar de cima, a tensão entre Abbie e Eben atinge o ponto de rutura. Dominada pelo desejo, ela abandona o seu quarto e entra resolutamente no quarto do enteado. Perante a imobilidade tensa do jovem, a madrasta lança-se ao seu pescoço num abraço apaixonado e cobre-o de beijos, aos quais ele, num primeiro momento, cede e retribui com igual ardor.

    Contudo, a consciência do ódio e da culpa faz com que a empurre subitamente, afirmando com dureza que o beijo soube a peçonha e tentando convencer-se de que pensava noutra mulher. Abbie confronta-o com a falsidade da sua negação, lembrando o ardor dos seus lábios, e a conversa degenera num confronto verbal violento. A mulher insulta-o e declara com orgulho manipulador que nunca esteve apaixonada por ele, tendo-o apenas procurado para assegurar o domínio sobre a casa e a propriedade, reduzindo-o à condição de mero jornaleiro. Para consolidar o seu poder, anuncia que vai descer e abrir a sala de visitas — mantida fechada desde a morte da mãe do rapaz —, convidando-o a juntar-se a ela. Perante o olhar fixo e a vontade implacável de Abbie, a resistência dele desmorona-se. Assim que a luz surge na janela da sala no piso inferior, Eben, num estado de profunda desorientação, veste mecanicamente o fato e o chapéu, permanecendo descalço, e lança um apelo desolado à falecida mãe antes de caminhar lentamente em direção à porta.

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