Quando chega a hora do teste,
Mostra enorme inspiração:
Olha para o norte, para o este,
À espera de uma salvação.
Diz que estudou a noite inteira,
Que até perdeu o sono,
Mas, perante a pergunta primeira,
Fica a contemplar o outono.
Se a inteligência fosse nota,
Teria muito que penar;
Mas, se contasse a lorota,
Já podia até doutorar!
Ó Gonçalo, grande mestre façanhudo,
Da desculpa e do improviso,
Tens resposta para tudo
Menos para o que vem no aviso!
E quando sai a pauta,
Há silêncio no corredor:
«Professor, deve haver engano…
Eu merecia era mais valor!»
Mas cuidado tem, Estremanho,
Prepara bem a lição,
Apanhar vais um entalão
Se a copiar no teste te apanho.
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