A quarta
cena da segunda parte inicia-se no exterior da casa, ao alvorecer, marcando uma
viragem radical na atitude e no semblante de Eben. Vestido com a roupa de
trabalho, o jovem exibe uma atitude firme, confiante e risonha. A janela da
sala de visitas é aberta por Abbie, que, de cabelo desalinhado e rosto corado,
se debruça para se despedir dele. Entre beijos e trocas de afeto, a madrasta
pede uma confirmação de amor e o agora amante, após declarar que gosta dela
mais do que de todas as raparigas que conheceu, acaba por confessar abertamente
que a ama.
Neste
diálogo matinal, a transformação interior das personagens traduz-se na forma
como passam a encarar a habitação. Abbie escancara as persianas para deixar
entrar a luz do sol e o ar puro na sala de visitas, demonstrando que o espaço,
anteriormente fúnebre e estático, ganhou vida e passa a ser o quarto de ambos.
É neste ambiente de renovação que Eben constata que a presença da falecida mãe
regressou definitivamente à sepultura, podendo finalmente descansar em paz, uma
convicção que a mulher subscreve antes de recolher ao interior.
Com a saída
desta, o rapaz aguarda a chegada do pai, que regressa vagarosamente do
estábulo. Apresentando-se provocatório, jovial e seguro de si, Eben aborda
Ephraim Cabot com ironia, elogiando a beleza da quinta e insinuando o seu novo
sentimento de posse sobre a propriedade. O jovem chega a estender a mão ao pai,
declarando que estão finalmente quites e revelando abertamente que a mãe já
pode dormir em paz, uma vez que a dívida moral que os unia foi saldada.
Perplexo e incapaz de compreender o tom desafiador do filho, que atribui inicialmente ao consumo de álcool, Cabot ignora as insinuações sobre o repouso da falecida e limita-se a comentar a sua própria noite passada no estábulo entre as vacas. Quando o filho se afasta a rir para o trabalho, proclamando-se o novo senhor do terreiro, o patriarca observa-o com desprezo e piedade, desqualificando-o como um insensato sem salvação, à imagem da mãe, antes de se dirigir para a porta enquanto o pano cai, encerrando o ato.

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