Português: Resumo da cena IV da 2.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Resumo da cena IV da 2.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros

Cena IV

    A quarta cena da segunda parte inicia-se no exterior da casa, ao alvorecer, marcando uma viragem radical na atitude e no semblante de Eben. Vestido com a roupa de trabalho, o jovem exibe uma atitude firme, confiante e risonha. A janela da sala de visitas é aberta por Abbie, que, de cabelo desalinhado e rosto corado, se debruça para se despedir dele. Entre beijos e trocas de afeto, a madrasta pede uma confirmação de amor e o agora amante, após declarar que gosta dela mais do que de todas as raparigas que conheceu, acaba por confessar abertamente que a ama.

    Neste diálogo matinal, a transformação interior das personagens traduz-se na forma como passam a encarar a habitação. Abbie escancara as persianas para deixar entrar a luz do sol e o ar puro na sala de visitas, demonstrando que o espaço, anteriormente fúnebre e estático, ganhou vida e passa a ser o quarto de ambos. É neste ambiente de renovação que Eben constata que a presença da falecida mãe regressou definitivamente à sepultura, podendo finalmente descansar em paz, uma convicção que a mulher subscreve antes de recolher ao interior.

    Com a saída desta, o rapaz aguarda a chegada do pai, que regressa vagarosamente do estábulo. Apresentando-se provocatório, jovial e seguro de si, Eben aborda Ephraim Cabot com ironia, elogiando a beleza da quinta e insinuando o seu novo sentimento de posse sobre a propriedade. O jovem chega a estender a mão ao pai, declarando que estão finalmente quites e revelando abertamente que a mãe já pode dormir em paz, uma vez que a dívida moral que os unia foi saldada.

Perplexo e incapaz de compreender o tom desafiador do filho, que atribui inicialmente ao consumo de álcool, Cabot ignora as insinuações sobre o repouso da falecida e limita-se a comentar a sua própria noite passada no estábulo entre as vacas. Quando o filho se afasta a rir para o trabalho, proclamando-se o novo senhor do terreiro, o patriarca observa-o com desprezo e piedade, desqualificando-o como um insensato sem salvação, à imagem da mãe, antes de se dirigir para a porta enquanto o pano cai, encerrando o ato.

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