segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Benfica vence a 4.ª Supertaça de futebol feminino
Relação de Desejo sob os Ulmeiros com a tragédia grega
- O Impulso Apolíneo: Personificado em Ephraim Cabot, representa a ordem rígida, o trabalho árduo e a disciplina puritana. Sua devoção a um Deus "duro e solitário" manifesta-se fisicamente no muro de pedras que circunda a propriedade. Para Ephraim, a dureza é a única prova de santidade; o muro é a barreira contra o caos dos instintos.
- O Impulso Dionisíaco: Esta força é canalizada por Abbie Putnam e pela memória onipresente de "Maw" (a mãe de Eben). Representa a sensualidade, a união irracional com a natureza e o transbordamento emocional. É o desejo que desafia a lógica da posse material.
- A Maternidade Sinistra: Os imponentes ulmeiros personificam o lado dionisíaco que "esmaga" e "protege" a casa. Descritos com uma humanidade aterradora, as árvores assemelham-se a mulheres exaustas cujos seios caídos, mãos e cabelos pousam no telhado, transformando a chuva em lágrimas que apodrecem a estrutura apolínea da habitação.
- O Conflito com o Pai: A hostilidade de Eben para com Ephraim — o "Laios" deste cenário — é absoluta. Eben identifica-se totalmente com a linhagem materna ("Eu sou Maw — cada gota de sangue!"). O desejo de "matar o pai" é a ferramenta para recuperar a propriedade que ele acredita ter sido roubada de sua mãe pelo trabalho escravo imposto por Ephraim.
- A Cegueira Trágica: Ecoando a ironia de Sófocles, a peça destaca a cegueira de Ephraim. Fisicamente míope (nearsighted), o patriarca é incapaz de enxergar a verdade sobre a paternidade de seu herdeiro, uma verdade que a comunidade — atuando como o Coro — já conhece e ridiculariza.
- Determinismo Calvinista: O destino de Eben parece traçado por forças que ele não controla. Ele está preso em uma gaiola de desejos herdados, onde sua rebelião acaba por conduzi-lo ao mesmo caminho de destruição do pai, fundindo o determinismo grego com a predestinação puritana.
- Abbie como Fedra: Inicialmente movida pela avareza material, Abbie evolui para uma amante desesperada que seduz o enteado (Hipólito/Eben). Ela utiliza a fixação materna de Eben como manobra psicológica, oferecendo-se para substituir a mãe falecida e quebrar a resistência do jovem.
- O Espaço do Sagrado Profano: A cena na "sala de visitas" (parlor) é o ápice desta fusão. O local, uma tumba onde a família enterra seus mortos, torna-se o palco de uma luxúria e um amor maternal horrivelmente francos. Ali, o incesto simbólico é selado, unindo o desejo carnal ao espírito da mãe em um pacto sombrio.
- A Mentira Estratégica: Assim como no mito clássico, Abbie utiliza a manipulação ao incitar Ephraim contra Eben, alegando falsamente uma tentativa de sedução para proteger seus interesses na fazenda, precipitando o confronto violento entre as gerações.
- A Inversão da Utilidade Materialista: No sistema de valores de Ephraim, o bebê é a "moeda" que garante a posse da terra. Ao matar o filho, Abbie realiza um ato supremo de rejeição à lógica da herança. O bebê deixa de ser um "herdeiro útil" para se tornar o obstáculo entre os amantes; sua eliminação prova a Eben que o amor dela transcende a avareza.
- Infanticídio como Prova: Diferente de Medeia, que mata por ódio puro contra Jasão, Abbie sacrifica o fruto de seu ventre para restaurar a pureza de seu vínculo com Eben, destruindo o único laço que a prendia ao plano de sucessão material da fazenda.
- Redenção e Culpa: A aceitação conjunta da culpa transforma o crime em uma libertação espiritual. Ao se entregarem à justiça, Eben e Abbie alcançam uma exaltação que os coloca acima da moralidade puritana, encontrando a paz no momento em que renunciam à posse da terra.
- O Coração da Casa: As divisões internas da fazenda foram projetadas para replicar a sístole e a diástole das quatro câmaras do coração humano. Esta arquitetura orgânica enfatiza que o drama não ocorre apenas entre quatro paredes, mas dentro da própria pulsação vital e emocional dos Cabot.
- O Muro de Pedras: Símbolo do isolamento de Ephraim e da dureza de seu Deus. As pedras representam o esforço de uma vida inteira para "cercar" e "conter" a natureza, um monumento à solidão inquebrável do patriarca.
- A Festa como Coro Grego: A celebração do nascimento do bebê funciona como uma adaptação moderna do coro antigo. Enquanto Ephraim dança freneticamente, exibindo sua vitalidade aos 76 anos, os vizinhos comentam e zombam de sua cegueira, criando uma poderosa ironia dramática que sublinha o isolamento do herdeiro traído.
- O Destino de Ephraim: O'Neill identificava-se com Ephraim, elevando-o ao status de herói trágico resiliente. Embora permaneça com a posse da terra, Ephraim é condenado à solidão absoluta, reafirmando seu Deus "duro e lonesome". Ele não é um vilão, mas uma figura de força inabalável que escolhe o caminho mais difícil como prova de existência.
- A Vitória do Amor: Eben e Abbie, ao caminharem para a punição, representam a vitória do espírito sobre a matéria. Eles admiram o amanhecer juntos, libertos da obsessão pela terra que os escravizava.
- A Circularidade do Desejo: A ironia final reside na fala do Sheriff: "É uma fazenda de primeira... quem me dera que fosse minha!". Esta frase encerra a peça demonstrando que, enquanto os indivíduos são destruídos, o ciclo da avareza e do desejo de posse recomeça, tornando a tragédia circular e reafirmando o legado de O'Neill como o criador da primeira grande tragédia genuinamente americana.
Análise da didascália inicial Desejo sobre os Ulmeiros
4. Contraste entre os ulmeiros e o muro de pedra
- O deus duro de Ephraim: O muro simboliza a mundividência de Ephraim, que passou décadas a arrancar pedras do solo da Nova Inglaterra para erguer a sua quinta com as próprias mãos. Para ele, o esforço bruto contra a pedra é sinónimo de salvação, pois acredita num Deus "duro e solitário" que não tolera a facilidade.
- A prisão dos filhos: Para os irmãos mais velhos, Simeon e Peter, as pedras não representam comunhão espiritual, mas sim escravatura e confinamento. Peter descreve o muro como uma barreira opressora: "são pedras sobre as pedras... fazendo muros de pedra para nos vedar". A conquista da liberdade de ambos é simbolizada precisamente quando retiram o portão de madeira desse muro antes de partirem para a Califórnia.
- O útero de Eben: Ironicamente, para o filho mais novo, Eben, o muro também assume uma dupla função, funcionando por vezes como uma divisória quase uterina que o protege e isola do mundo exterior.
- O impulso apolíneo: Simbolicamente, o muro alinha-se com o conceito nietzschiano de Apolíneo: representa a ordem, a razão, a disciplina pelo trabalho implacável e o egoísmo possessivo da herança da terra.
- A presença da mãe falecida: Os ulmeiros funcionam como a manifestação física e psicológica de "Maw", a falecida mãe de Eben, cujo espírito continua a pairar sobre a casa e a guiar a sede de vingança do filho contra o pai.
- A "maternidade sinistra": Nas direções de cena, as árvores são personificadas de forma quase gótica como "mulheres exaustas que pousam no telhado os seios pendentes, as mãos e os cabelos", exercendo uma "maternidade sinistra, uma absorção ciosa e esmagadora" sobre o lar dos Cabots.
- As forças vegetativas e a sensualidade: Enquanto a casa é cinzenta e estéril, os ulmeiros emitem um brilho verde que simboliza as forças geradoras da vida, do rejuvenescimento, da atração carnal e da união com a natureza. Abbie compara o calor sufocante e o desejo que arde dentro de si à força que faz crescer as árvores, "como aqueles ulmeiros".
- O impulso dionisíaco: As árvores encarnam o Dionisíaco - o irracional, o fluxo da emoção desimpedida, o misticismo natural e a união sexual que desafia as convenções sociais e puritanas.
sábado, 5 de setembro de 2026
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Representatividade das personagens de O Mercador de Veneza
Análise de O Mercador de Veneza
I. Contexto
1.1. O Ghetto de Veneza
II. Resumos
2.1. Resumo da peça
2.2. Resumo das cenas
2.2.1. Cena I, Ato I
2.2.2. Cena II, Ato I
2.2.3. Cena III, Ato I
2.2.4. Cena I, Ato II
2.2.5. Cena II, Ato II
2.2.6. Cena III, Ato II
2.2.7. Cena IV, Ato II
2.2.8. Cena V, Ato II
2.2.9. Cena VI, Ato II
2.2.10. Cena VII, Ato II
2.2.11. Cena VIII, Ato II
2.2.12. Cena IX, Ato II
2.2.13. Cena I, Ato III
2.2.14. Cena II, Ato III
2.2.15. Cena III, Ato III
2.2.16. Cena IV, Ato III
2.2.17. Cena V, Ato III
2.2.18. Cena I, Ato IV
2.2.19. Cena II, Ato IV
2.2.20. Cena I, Ato V
2.3. Análise das cenas
2.3.1. Cena I, Ato I
2.3.2. Cena II, Ato I
2.3.3. Cena III, Ato I
2.3.4. Cena I, Ato II
2.3.5. Cena II, Ato II
2.3.6. Cena III, Ato II
2.3.7. Cena IV, Ato II
2.3.8. Cena V, Ato II
2.3.9. Cena VI, Ato II
2.3.10. Cena VII, Ato II
2.3.11. Cena VIII, Ato II
2.3.12. Cena IX, Ato II
2.3.13. Cena I, Ato III
2.3.14. Cena II, Ato III
2.3.15. Cena III, Ato III
2.3.16. Cena IV, Ato III
2.3.17. Cena V, Ato III
2.3.18. Cena I, Ato IV
2.3.19. Cena II, Ato IV
2.3.20. Cena I, Ato V
III. Personagens
3.1. Caracterização
1. António
2. Bassânio
3. Pórcia
4. Lourenço
5. Graciano
7. Falconbridge
8. Nerissa
10. Criado de Pórcia
11. Shylock
12. Tubal
13. Servo de Shylock
15. Lanceloto Gobbo
16. Velho Gobbo
17. Jéssica
21. Dr. Belário
22. Doge
23. Belário de Pádua
3.2. Papel / Relevo
3.3. Representatividade
3.4. Relações entre as personagens
IV. Espaço
4.1. Físico / Geográfico
4.2. Social
4.3. Psicológico
V. Tempo
5.1. Histórico
5.2. Da ação
5.3. Do discurso
5.4. Psicológico
VI. Linguagem
VII. Elementos simbólicos
VIII. Temas
IX. Dimensão trágica da obra
1. Presságios
X. A crítica

